Com o coração profundamente comovido e consciente do peso sagrado deste momento, coloco-me hoje diante de Deus e de Sua Igreja para assumir o ministério que me foi confiado. Não o faço por mérito próprio, mas pela misericórdia do Senhor, que chama servos frágeis para realizar a Sua obra. Ao aceitar esta missão como Paulo VII, renovo, diante de todos vós, o meu sim à vontade de Deus e ao serviço do Seu povo santo.
As palavras do Senhor dirigidas ao apóstolo Pedro ressoam hoje em minha alma com força particular: “Apascenta as minhas ovelhas” (Jo 21,17). Este é o mandato que recebo e que abraço com temor e esperança. Ser Papa não é reinar, mas servir; não é ser exaltado, mas gastar a própria vida para que Cristo seja conhecido, amado e seguido.
Neste dia de Entronização e Coroação, elevo também um apelo sincero a todos os clérigos da Igreja: irmãos bispos, presbíteros e diáconos. A fecundidade da Igreja depende da nossa fidelidade ao Evangelho e da nossa dedicação total ao povo que nos foi confiado. O Senhor nos chama a permanecer n’Ele para que a Igreja volte a produzir frutos abundantes, frutos de conversão, de santidade, de justiça e de paz. Onde houver pastores segundo o coração de Cristo, ali a Igreja florescerá.
Peço-vos: não percamos o ardor do primeiro amor. Retornemos à oração, à escuta da Palavra, à simplicidade do serviço. O mundo não espera de nós estratégias humanas, mas testemunhas autênticas do Ressuscitado. Uma Igreja viva nasce de clérigos que se deixam moldar diariamente pela graça.
Desejo também anunciar, desde este primeiro momento do meu pontificado, um compromisso claro e irrevogável: a Igreja há de avançar com passos firmes na acolhida daqueles que se encontram afastados da comunhão. Muitos filhos e filhas, ao longo do tempo, sentiram-se esquecidos, feridos ou distantes. A esses, quero dizer com voz de pai e pastor: a Igreja não vos esqueceu. A Igreja precisa de vós.
Promoveremos mudanças significativas na forma de nos aproximarmos desses irmãos, para que encontrem não muros, mas pontes; não portas fechadas, mas braços abertos. Sem renunciar à verdade do Evangelho, queremos anunciá-la com misericórdia, como fez o próprio Cristo. A Igreja deve ser casa onde todos possam reencontrar o caminho, lugar onde a dignidade humana seja respeitada e a esperança renasça.
Como o Pai da parábola, desejamos correr ao encontro do filho que retorna, não com acusações, mas com o abraço do perdão. A Igreja estará de portas abertas para receber os filhos esquecidos e afastados ao longo do tempo, para que ninguém duvide de que o amor de Deus é maior que qualquer distância.
Confio este ministério à intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja, e dos santos apóstolos Pedro e Paulo. Peço-vos que rezeis por mim, para que eu nunca me afaste do caminho do Senhor e jamais falte à Igreja na caridade e na verdade.
