ANTONIUS, EPISCOPUS
SERVUS SERVORUM DEI
AD PERPETUAM REI MEMORIAM
A todos àqueles que esta lerem,
de maneira especial ao dileto irmão,
o Cardeal Raul Alberti Damasceno,
saudação, paz e bênção apostólica.
O Divino Redentor entregando-se a morte e sendo elevado da terra, no patíbulo da Cruz, deseja que todos sejam atraídos à Ele (cf. Jo 12, 32) e, ainda mais, atraídos para a esperança que emana do Sagrado Madeiro. Em meio as vicissitudes da vida, olhamos para o Crucificado e percebemos que o sofrimento produz paciência, que prova a fidelidade e gera a esperança e esta esperança não engana, pois o e Eterno Pai derrama em nós o seu amor por meio do Santo Espírito, que Ele nos deu (cf. Rm 5, 3-5). Porém, antes desta oferta generosa, o Altíssimo Mestre nos ensina a suplicar pela unidade e, bem sabemos, que atraindo todos nós, quando elevado da terra, Ele deseja que "todos sejam um, como tu, Pai, em mim e eu em ti; para que sejam um em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste" (Jo 17, 21).
Desta maneira, toda a divisão que macula o Corpo místico de Cristo deve ser expurgada deixando resplandecer a obediência, a unidade e paz. Quando o corpo não trabalha em harmonia vai-se definhando e o propósito se perde. O bispo deve ser esse "sinal visível da unidade nas suas respectivas igrejas, formadas à imagem da Igreja universal, das quais e pelas quais existe a Igreja Católica, una e única" (Constituição Conciliar Aeternum Patris, n. 18). O ponto de unidade de uma porção do povo de Deus que ruma para a Jerusalém Celeste deve ser a figura de seu epíscopo que os congrega na unidade, para que, trabalhem, todos juntos, em prol da evangelização para continuarmos sendo reflexo da Igreja da realidade (Constituição Conciliar Predicate Evangelium, n.24).
Isto posto, do alto da Cátedra do Bem-aventurado Pedro, voltamos, com solicitude paternal, o nosso olhar para a Arquidiocese de São Paulo que necessita de outro pastor que continue ajudando a vivificar o povo de Deus presente nesta circunscrição. Desta maneira, ouvimos o parecer do Dicastério para os Bispos, e tu, dileto irmão, foi cotado por nós para assumir tal função, pois outrora o senhor mostrou-se muito competente neste imenso desafio de guiar, santificar e governar o povo de Deus. Desejando congregar ainda mais o povo na unidade e na paz, nomeamos-te Arcebispo-Coadjutor da Arquidiocese Metropolitana de São Paulo, com todos os direitos e deveres que este cargo lhe confere.
Exortamos que todo o clero, bem como o povo de Deus presente nesta porção eclesial acolha seu novo pastor escutando aquilo que São João nos diz em usa epístola: ''Portanto, aos tais devemos acolher, para que sejamos cooperadores da verdade'' (3 Jo 1, 8). Recebam este irmão que chega para cooperar com vocês nesta árdua missão de evangelização, pois ''a santa Igreja nos novos tempos, envolta pelo Espírito de Deus, vê de bom grado a junção e a familiaridade do bispo com seus leigos e fiéis'' (Pio IV, Pastoris Gregis).
Sem mais, despeço-me invocando as bênçãos do Deus Altíssimo pela intercessão de São Pedro e São Paulo a ti, querido irmão, e a todo o povo de Deus em solo paulista. Que Nosso Senhora da Assunção continue intercedendo por esta circunscrição eclesiástica.
Dado e passado em Roma, junto a São Pedro, aos 02 dias do mês de abril do Ano do Senhor de dois mil e vinte e três, domingo de ramos e da paixão do Senhor, primeiro de nosso pontificado.
+ ANTONIUS
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